domingo, 21 de outubro de 2012

Amigos

Estamos feridos e sangrando
Fugindo para lá, algum lugar
Onde não passa alguém perdido
Nem de quando em quando.
Cometemos um pequeno erro,
Fomos acusados,julgados e condenados
Por um crime que não lembrávamos.
Agora que lembro acato a decisão.

Expurgados da sociedade
Por não termos cometido sequer um ato,
Ao chegarmos ao destino,
Que era as terras de além lá
Ficamos parados, propensos
Esperando a nova vida começar.

Esperamos escolas, amizades,
Trabalhos e amores
Por, novamente, não termos ido em busca
Ficamos só com as dores.
Conversas repetidas e verdades esquecidas
Que só findarão com a pena cumprida
Ao final do castigo, como será voltar?
Para o lugar onde os homens só acertam
Que é a terra dos homens de cá.

Pode ser que seja sofrido
Ou que eu nem chegue a chegar
Mas durante esse tempo eu ganhei uma certeza:
Viveremos nas terras de lá ou de cá,
Pois não existem terras do meio.

(Augusto Menezes, 18 de setembro de 2007.)



sábado, 18 de agosto de 2012

Filmes, Telejornais e um Escritor sem talento.


Sob escombros colossais
Estão todas as minhas perspectivas
De viver ao teu lado e de ter uma vida
Bonita como é descrita num livro
E feliz como pode ser vista
Nos planos de quem ainda os têm.

O sol também está coberto por um céu cinzento
E abaixo deles os homens marcham em busca de um objetivo
Que mesmo tendo sido definido sem motivo
A sua caça causará a destruição de lares, lugares
E a morte de muitos para ser conseguido.

Os aviões felizes passeiam nas nuvens
E largam sobre nós as suas mágoas revigorantes
Fortalecedoras das próximas gerações que se voltarão
Contra o sistema opressor do qual eles farão parte.

Eleições, amores e cores
Em todo o mundo horrores
Por isso não mais sentimos dores.

Mas alegremo-nos!
A Curiosity está em Marte.
Sem nós a felicidade perde uma parte.
Que talvez a ela seja necessária.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Tenho Fé


No que ressurge avesso à situação
E traz a possibilidade de mudança
Nutre - nos de um sentimento imundo e vil,
Que nunca deixa de ser confiança.
Mantida pelo homem numa sólida ilusão.

Não compartilho do que me é dito
Por alguém mais importante
Porém nunca antes visto,
Esse Senhor de cada mísero instante
Regente das desventuras em que vivo.

Mas posso renegá-lo sem pesar
Não pagarei nada após a morte,
Só terei o corpo corroído por sevandijas,
Fato sem importância para mim
Que serei um corpo sem vida.

Enquanto vivo lutarei sempre forte
De acordo ao meu credo,
Pregando firmemente contra a fé do homem,
Que utiliza o próximo para lucrar,
E erigir uma fé fingida,
Pois eles são os maiores provedores da materialidade
E essa é a maior demonstração cristã
De que nem eles crêem na ressurreição da alma
E na renovação da vida.