quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Aconteceu

Duvido que seja verdade,
Porém a idade não me deixa pensar
No que teria acontecido
Se eu não tivesse sofrido
Todo esse tempo, junto comigo.

Saio fortificado e com novos pensamentos
Sobre a minha pessoa e os próximos eventos.
Pelos quais terei que passar
Tudo isso só para provar que não me esqueci,
Nem de mim, nem das coisas que vivi.

Sem alguém ao meu lado
Convivo muito bem estando desacompanhado
E não exagero ao falar que senti felicidade
Depois de ser esquecido nos lugares que havia passado.

Não me preparei para voltar,
Fui impelido pelo acaso
Que não me deu nem uma hora para lembrar...
Do que eu pensava ter acontecido
Sem sequer saber que nada havia existido.

domingo, 1 de maio de 2011

Pai

A chuva que cai do céu
Não lava a minha alma
Que está tão carregada de sujeiras
Todas trazidas da estrada
Pela qual eu caminhei
E de bom não trouxe nada.

Ao chegar em casa
De mãos tão vazias
Quanto a minha alma
Vislumbro no rosto do meu filho,
Menino recém - nascido, o desespero
Por passar mais um dia com fome
E pensar, se for capaz
Que talvez não terá mais um dia de paz.

Saio mais uma vez
Em busca do pão bendito,
Pelo qual hoje em dia
É um bom motivo para se fazer inimigos.
Me ajoelho, me humilho,
Não consigo o que me é querido,
E ao voltar para casa,
Mais uma vez sem nada
E saber que meu menino tinha morrido,
Graças a minha incapacidade.
Eu paro, penso:
Talvez tenha sido mal da idade.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Depois

Fujo pra longe,
Me escondo ao teu lado.
Sem saber de ti,
Sumo do mundo,
Vou para dentro de mim.
Você foi para aonde eu estava,
Sem nada concreto
A incerteza do amor
Nos traz para perto.
A certeza chegou
Com uma felicidade
A qual ninguém acreditaria
Advir de um romance
Que durou só um dia.
Ao pensar no decorrido
Me perco na linha do tempo
E faço do belo passado
Um triste momento,
Futuro de um recomeço
Que acontecerá em algum lugar,
Sobre o qual só tenho a certeza
De que iremos estar.