sábado, 26 de novembro de 2011

Insônia


Há muito tempo sem dormir
As alucinações se tornaram rotineiras
E as mentiras que criei se tornaram verdadeiras,
Sem que me trouxessem algum alento.

Às margens da vida, me despedi da existência,
Por força menor, porém,
Maior que a minha vontade de viver.

À noite ou durante o dia, me deito para tentar dormir,
Cada vez mais desperdiço as poucas tentativas,
Mas enquanto o sono não vem
Penso no fim da vida,
Que não leva nada nem ninguém a lugar algum.
Só abre feridas, até o fim das outras restantes vidas.






quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Aconteceu

Duvido que seja verdade,
Porém a idade não me deixa pensar
No que teria acontecido
Se eu não tivesse sofrido
Todo esse tempo, junto comigo.

Saio fortificado e com novos pensamentos
Sobre a minha pessoa e os próximos eventos.
Pelos quais terei que passar
Tudo isso só para provar que não me esqueci,
Nem de mim, nem das coisas que vivi.

Sem alguém ao meu lado
Convivo muito bem estando desacompanhado
E não exagero ao falar que senti felicidade
Depois de ser esquecido nos lugares que havia passado.

Não me preparei para voltar,
Fui impelido pelo acaso
Que não me deu nem uma hora para lembrar...
Do que eu pensava ter acontecido
Sem sequer saber que nada havia existido.

domingo, 1 de maio de 2011

Pai

A chuva que cai do céu
Não lava a minha alma
Que está tão carregada de sujeiras
Todas trazidas da estrada
Pela qual eu caminhei
E de bom não trouxe nada.

Ao chegar em casa
De mãos tão vazias
Quanto a minha alma
Vislumbro no rosto do meu filho,
Menino recém - nascido, o desespero
Por passar mais um dia com fome
E pensar, se for capaz
Que talvez não terá mais um dia de paz.

Saio mais uma vez
Em busca do pão bendito,
Pelo qual hoje em dia
É um bom motivo para se fazer inimigos.
Me ajoelho, me humilho,
Não consigo o que me é querido,
E ao voltar para casa,
Mais uma vez sem nada
E saber que meu menino tinha morrido,
Graças a minha incapacidade.
Eu paro, penso:
Talvez tenha sido mal da idade.